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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

E os tucanos venceram!

Não! Não se trata de antecipar vitória tucana no Pará. Também não é alento à combalida candidatura de Serra. Estou me referindo a uma nação, acima do próprio Pará, no interior das almas e das tradições. Os tucanos venceram! Com sua lógica privatista e neoliberal, conseguiram a proeza de afundar a nação azul.
A tragédia mais que anunciada de domingo foi mais uma do lamentável rol de fracassos nacionais do Clube do Remo nos últimos 30 anos, principalmente em seus domínios (Baenão ou Mangueirão, ressalte-se). Esta última, porém, acompanhada de um componente dramático: o anúncio da derrocada. Há aqui um fator fundamental nesse enredo, Amaro Klautau e sua gestão tucana, protagonista do maior fracasso da história mais que centenária do Remo. Prócer tucano emplumado, colaborador direto de Simão Jatene no Governo do Pará entre 2003 e 2006, trouxe para o Remo o mesmo modelo de gestão.
Tal qual o modelo tucano que afundou o país com FHF e engessou o Pará com Almir e Jatene, Amaro e sua trupe utilizaram-se do mesmo paradigma: o mercado resolve, eficácia, eficiência, inovação, rompimento com o passado e com a história e a já clássica venda de patrimônio alheio. Essas falácias foram reproduzidas como mantras desde 2009. O sucateamento do patrimônio do clube seguiu o mesmo diapasão de FHC, Almir e Jatene à frente da condução do Estado. Com o uso de uma boa propaganda e conveniências de conselheiros cordatos, conseguiram os tucanos o seu intento. Enquanto a “nova arena” se propalava aos ventos, a imensa nação azulina aumentava o acúmulo de fracassos e vergonhas: eliminações precoces na Copa do Brasil (para variar, dentro de casa a Flamengo e Santos), fracassos no parazão (não ganha sequer um turno nos últimos dois anos) e a sua extinção no brasileiro sem série. Às favas os fracassos, o foco é vender, vender, vender…
Em meio às marteladas insanas ao símbolo do clube, os tucanos fingiam não ver o mundo real dos gramados. O foco era a corretagem imobiliária, não o futebol. O olhar era no futuro, mesmo com as vendas escuras e escusas do presente. O resultado? Previsível. Transformaram a nação azul na “terra do já teve”: já teve títulos, já teve história, já teve divisão e já teve estádio. Não terá futuro!
Ainda há tempo para a nação azulina juntar os cacos e expulsar os vendilhões do templo. Perderemos o estádio, não a coragem. Que fique o alerta ao povo do Pará que ainda tem a chance histórica de barrar o retorno dos que advogam a “terra do já teve”. Basta! O Pará, tal qual o Clube do Remo, não merece isso!
Por Cássio Andrade

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