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sábado, 2 de outubro de 2010

Mauro Panzera confessa em nota ser autor de panfletos caluniadores.

Confesso! Fui um dos autores do panfleto “Anos Rebeldes, próximo capítulo”. Esse panfleto, pra quem não sabe, era da UBES e da UNE e convocou a primeira passeata do Fora Collor. No dia 11 de setembro de 1992, milhares de estudantes invadiram a Avenida Paulista pedindo a cabeça do Presidente da República. 
Eu era Coordenador Geral da UBES. E o panfleto chamava o Collor de ladrão, antes de isso ser provado. Fiz dezenas de outros panfletos, cartazes e faixas com igual teor. Desculpe Fernando Collor. Mas obrigado por não ser mais presidente.
Também confesso! Incitei milhares de estudantes a quebrarem ônibus nas passeatas pela meia-passagem no início da década de 90. Eu era presidente da UMES (União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas) e sou um dos culpados pela paralização do trânsito, pela devastação do antigo bambuzal da Praça do Operário e pela preocupação de pais e mães com seus filhos adolescentes que andavam em perigosas passeatas.
Desculpe senhores empresários de ônibus. Desculpem senhores governadores Jader Barbalho, Carlos Santos e Hélio Gueiros. Mas obrigado pela meia-passagem.
Também, ainda garoto, gritei que a UDR era assassina na passeata que enterrou Paulo Fonteles. Um gesto irresponsável que eu, confesso, repeti nos enterros de João Canuto, Expedito, João Batista e tantos outros.
Eu podia aqui dividir a culpa por esses crimes. Dizer que nada disso foi feito sozinho. Podia dizer que alguns políticos nos influenciaram. Afinal, recebemos apoio do vereador Jordy, pra fazer quebra-quebra de ônibus (várias vezes). O deputado Edmilson ia pras nossas passeatas. A vereadora e depois deputada Socorro Gomes sempre fazia discursos. O Ganzer e a Sandra batista também davam uma força. Mas dividir a culpa poderia prejudicar alguns desses líderes, liga-los a atos ilegais. Inclusive poderia constranger os que mudaram de lado.
Confesso também que chamei o Sarney de ladrão, o FHC de privatista, o Almir de assassino de sem-terra. Também disse por aí que o Jatene quebrou o Pará. Desculpem senhores.
E agora, desculpe-me também senador Flexa Ribeiro. 
Não por ter feito um panfleto da UNE, UMES, UBES, não por distribuí-lo. Porque pra me imputarem isso a gente ainda vai dar uma boa brigadinha. Mas peço desculpas por concordar com o teor dele. Se eu ainda fosse estudante, botaria minha própria assinatura nele. Já que eu fiz tanta bobagem antes, como confessei acima, mais essa não seria problema.
O panfleto que “esculhamba” o senador mostra uma foto dele preso. Coisa que ele realmente foi, diga-se. Diz que ele é acusado pela participação no escândalo da Pororoca, coisa que ele é mesmo. Diz que ele é componente da mais raivosa direita branca deste país. Diz que ele foi honrado com o prêmio de Inimigo da Amazônia, dado pelo Greenpeace e várias outras entidades. E mostra uma grande listagem de votos desse senhor contra o governo do Presidente Lula. Tudo fato.
O senhor Flexa votou contra a CPMF, tirando 40 bilhões da saúde pública. O senhor Flexa votou contra a capitalização do BNDES. Flexa votou contra a criação do Ministério da Igualdade Social. Votou não ao projeto de modernização do turismo brasileiro. O senhor Flexa passou seis anos votando contra o Brasil.
É isso que diz o panfleto dos estudantes. E é tudo verdade.
Por isso vou confessar mais um pequeno delito, afinal o voto é secreto. Não votarei no senador. Ele é a pior alternativa para o Pará.

Mauro Panzera

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