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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Juíza foi procurada antes da prisão de empresário

A juíza Maria das Graças Alfaia Fonseca, titular da Vara de Crimes Contra Crianças e Adolescentes de Belém, confirmou ter sido procurada no gabinete dela pelo juiz Carlos Alberto Flexa de Oliveira, semanas antes do pedido de prisão do empresário Antônio Carlos Vilaça, acusado de fazer parte de um esquema de abuso sexual de crianças e adolescentes. No encontro, o juiz indagou a juíza sobre o andamento do caso.
“Ele veio em meu gabinete. Chegou muito cansado por causa da subida de escada. Perguntou como estava o caso do Vilaça. Deixei que ele falasse e não comentei nada. Depois disse a ele que não podia falar nada sobre o caso porque os autos ainda não haviam chegado à minha mão”, disse a juíza.
Segundo ela, não houve influência alguma por parte do juiz no andamento do processo. “Tanto que logo depois que os autos chegaram até a mim, percebi que estavam presentes todos os requisitos para decretar a prisão e foi o que fiz. A prisão foi decretada no dia 23 de abril de 2010”, disse a juíza. Além de Vilaça, foi pedida à época a prisão de Leonilda Moreira, Caroline Alves de Souza e Carlos Alberto Ferreira Pimentel, também acusados de abuso sexual de menores.
O caso ganhou nova repercussão depois que o jornal Folha de São Paulo publicou, na edição de sábado passado, 04, reportagem que indica ter havido proteção ilegal ao empresário Antonio Carlos Vilaça por parte de autoridades paraenses. Vilaça é proprietário de empresas na área de construção civil, mineração e transporte. O empresário nega as acusações de prática de abuso sexual em menores.
SEGREDO
O inquérito corre sob segredo de Justiça, mas as informações acabaram vazando. Segundo a Folha de São Paulo, os documentos do inquérito mostram que o empresário teria recorrido ao deputado Wladimir Costa, ao juiz Carlos Alberto Flexa e ao delegado Edivaldo Lima, para obter informações e influenciar as investigações do caso. Costa e Lima negam as acusações. O juiz informou, por intermédio da assessoria de imprensa, que não iria se manifestar sobre o assunto.
A reportagem diz ainda que a jornalista Micheline Ferreira, de O Liberal, teria cobrado R$ 100 mil do empresário para não publicar matéria sobre o caso. A jornalista negou a acusação. A assessoria do Tribunal de Justiça do Estado informou que, durante todo o caso Seffer, deputado acusado na CPI da Pedofilia, Micheline Ferreira buscou diversas vezes informações sobre as denúncias contra Vilaça, num procedimento comum para repórteres.
As investigações sobre o caso foram feitas a partir de grampos telefônicos, solicitados pela juíza Graça Alfaia, a partir de novembro de 2009. As investigações indicariam o envolvimento sexual de Vilaça com cinco meninas e adolescentes dos municípios de Barcarena e Abaetetuba e pelo menos três de Belém.
Caso não consta na CPI da Pedofilia
A prisão de Vilaça só foi feita depois da mudança de delegado no caso. Quando o inquérito passou às mãos da delegada Socorro Maciel, o empresário foi preso, embora não tenha ficado muito tempo na cadeia. “O caso está sob sigilo de Justiça. Eu concluí os autos, enviei à 3ª Vara Criminal de Abaetetuba e de lá subiu para o Supremo Tribunal Federal. Não posso falar mais nada”, disse a delegada, referindo-se às investigações do abuso às meninas de Abaetetuba. O caso foi parar nas mãos do juiz Deomar Alexandre Barroso.
A informação do gabinete do juiz é que ele não se manifestaria por telefone sobre o assunto.
Em Belém, o deputado Arnaldo Jordy (PPS), que tomou a frente às apurações da CPI da Pedofilia, não quis falar com o DIÁRIO. A pergunta, cuja resposta não parece ser esclarecedora é por que as acusações contra Vilaça não constaram da CPI, já que o empresário chegou a ser preso. A assessoria do deputado justificou a ausência de Vilaça porque a denúncia feita contra ele teria chegado até a CPI no período das investigações. (Diário do Pará)

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