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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Abel é contrário à Divisão do Pará

"A proposta de criação dos estados Carajás e Tapajós reflete o sentimento de uma elite regional e não se relaciona com uma demanda popular. Território e Política andam juntos. A divisão do Pará representa o sentimento de uma elite regional econômica que busca mais poder político, mais autonomia com relação à Belém. O povo sempre esteve alheio a essa questão", disse o vereador Abel Loureiro (DEM) em pronunciamento na Câmara Municipal de Belém, na reabertura dos trabalhos legislativos. Leia íntegra.
"E isso está bem estudado pelo cientista político do governo do Estado, professor Roberto Corrêa, através do IDESP (Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental). Segundo Corrêa, as ambições separatistas no sul do Pará existem desde o final do século XXI, mas começaram a ganhar força na década de setenta, quando o governo militar incentivou a ocupação da região por meio de grandes obras, como as rodovias Belém-Brasília e Transamazônica, ou de fronteiras agrícolas. "Com o Banco da Amazônia, essas elites financiaram a chegada de empresários, o agronegócio e recrutaram mão-de-obra, sobretudo no Nordeste, sob o slogan ‘homens sem-terra do Nordeste para terras sem homens na Amazônia’. Ora, essa região foi ocupada por pessoas de vários cantos do país, com outro tipo de cultura. Não há o sentimento e o espírito do Pará em Carajás".
Na década de 80, uma nova leva de migrantes chegou a Carajás na corrida pelo ouro em Serra Pelada. Em 1982, a criação do Programa Grande Carajás e a chegada da Vale do Rio Doce na região atraíram mais migrantes para os municípios da região. Com as ondas migratórias e a chegada de grandes agricultores, o cenário de Carajás a partir da década 80 mudou drasticamente.
Atualmente, a região tem mais de 1.400.000 (Um milhão e quatrocentos mil habitantes) (18% da população do Pará) e um PIB (Produto Interno Bruto) de R$ 19,6 bilhões, o que representa quase 30% do produto do Pará. Em Carajás está maior reserva mineral do mundo, contendo minério de ferro de alto teor, estanho, bauxita, manganês, cobre e níquel. A reserva é explorada pela Vale, hoje a maior empresa privada do país e uma das maiores mineradoras do mundo.
Apesar da riqueza, Carajás é uma das regiões mais violentas do país e detém índices acentuados de pobreza. Se for separado do Pará, Carajás terá o maior índice de homicídios entre todas as unidades federativas e será o Estado com maior número de mortes no campo. Em Tapajós, o movimento emancipacionista existe desde a primeira metade do século 19, quando a cidade de Santarém, a maior da região, era uma comarca do Grão-Pará, assim como Belém e Manaus. Desde então, as elites políticas e econômicas da região tentaram em várias oportunidades a separação.
Esfacelo no Congresso Nacional
No que depender da disposição da bancada paraense no Congresso, a disputa em torno da divisão do Pará em três novas unidades federativas: Pará (remanescente), Carajás e Tapajós-não é animadora. A pesquisa evidencia junto aos deputados federais e senadores do Pará que não há uma posição hegemônica sobre a divisão.
Dos 17 deputados que compõe a bancada do Estado na Câmara, sete são contra a divisão, cinco a favor e cinco ou ficarão neutros até o plebiscito ou ainda não definiram posição.
"Com a divisão, cada porção será gerida e administrada por si mesma, de acordo com suas próprias necessidades. O Pará remanescente ficará prejudicado com a divisão já que perderá o controle sobre a produção de minérios, o agronegócio e o escoamento de grãos. Não podemos sacrificar o Estado-Mãe. "O Pará merece e necessita continuar grande e forte".(JusBrasil)

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