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domingo, 20 de novembro de 2011

A divisão do Pará: má ideia pra todo mundo

o próximo dia 11 de dezembro, os eleitores paraenses devem votar num plebiscito sobre a criação de um novo estado, Carajás, a ser desmembrado da porção sudeste do atual território paraense. A realização do plebiscito foi decidida pelo Congresso Nacional, que também considera mais um projeto que criaria o estado de Tapajós, a ser formado por toda a porção oeste do que hoje é o Pará.
Conforme um texto revelador publicado no último mês de junho pelo economista Rogério Boeuri, no site Brasil, Economia e Governo, do Instituto Fernand Braudel, o retalhamento do estado do Pará seria insustentável do ponto de vista fiscal.
Enquanto o novo estado do Tapajós gastaria 1,9 bilhão de reais apenas com o custeio da máquina administrativa por ano, o equivalente a 44% de seu PIB, Carajás iria torrar 3,7 bilhões de reais por ano em custeio.
Ressalte-se que essa montanha de dinheiro seria engolida apenas pela burocracia dos novos estados. Como se sabe, o Pará é um lugar riquíssimo em termos de recursos naturais, mas onde as estradas e os hospitais exibem padrões subsaarianos.
Perguntado agora pelo blog sobre o efeito que o desmembramento teria sobre o território remanescente do Pará, Boeuri, que é pesquisador do IPEA, afirmou em primeira mão que o resultado seria igualmente sombrio.
De acordo com ele, o novo Pará também seria deficitário, com um custo estimado em 800 milhões de reais por ano aos contribuintes.
“O déficit do novo estado do Pará aconteceria porque ele perderia receitas numa velocidade e proporção maiores do que conseguiria cortar as despesas”, diz Boueri.
Diante desses números, conclui-se que a melhor escolha dos paraenses seria pela manutenção da integridade de seu território. E como todos os demais brasileiros, eles deveriam exercer uma pressão mais efetiva sobre seus governantes por maior eficiência nos gastos com educação, saúde, segurança e transporte.
PS: Brasil, Economia e Governo é uma iniciativa dos economistas Nilson Oliveira, Marcos Mendes, Fernando Menequin e Paulo Springer de Freitas. O objetivo do site, que é apartidário e conta com a colaboração de pesquisadores de primeira linha, é oferecer explicações acessíveis para questões de alta relevância, que dependam da ação governamental e digam respeito a políticas públicas. (Exame)

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