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sábado, 21 de maio de 2011

Caminhada pede manutenção de escolas

Caminhada pede manutenção de escolas (Foto: Adauto Rodrigues)
Familiares e pessoas com deficiência auditiva se reuniram ontem (20) em frente ao Centro Arquitetônico de Nazaré (CAN) para realizar uma passeata contra a decisão do Ministério da Educação (MEC) de acabar com as escolas de educação especial. O ato, que terminou na Praça da República, contou com a participação de vários estudantes, pais de alunos, professores, entre outros.
O objetivo do MEC é que os alunos com deficiência auditiva sejam absorvidos pelas escolas regulares, mas a comunidade dos surdos afirma que as escolas “normais” não estão capacitadas para atender estes estudantes. “Os alunos não conseguem aprender nas escolas regulares por causa da falta de apoio e de intérpretes”, comentou uma das líderes do movimento, Monique Murta.
Segundo ela, o ideal era que os alunos tivessem atendimento especial com intérprete e educação bilíngue (sinalização e oralidade) até o 9º ano do ensino fundamental. “É necessário que os alunos tenham a língua de sinais fluente para que mais à frente não sintam dificuldades e consigam manter o aprendizado contínuo”.
Em todo o Estado, existem 600 escolas que já estão equipadas com sala multifuncionais, para atender cerca de nove mil estudantes com deficiência auditiva. Na Região Metropolitana de Belém (RMB), estão disponibilizadas 128 escolas para atender a esses alunos.
Mas a principal reivindicação é que mais profissionais que possam fazer a interpretação dos sinais sejam contratados. Segundo o movimento, muitas escolas só têm profissionais com especialização em língua de libras, e não com formação de intérpretes. A Secretaria de Estado de Educação (Seduc) informou que está preparando para o segundo semestre novas vagas para concurso público apenas para o cargo de intérpretes.
O coordenador de Educação Especial da Seduc, Edmilson Souza, afirma que está ciente de que a quantidade de profissionais não atende a demanda existente, mas que as melhorias vão acontecer gradativamente. “É um processo gradativo, onde as escolas precisam se adaptar a essa nova fase e perceber as necessidades”.
A falta de intérpretes, segundo os pais, gera situações conflitantes para os alunos. “Meu filho teve que estudar a vida inteira em escola pública, pois era onde tinha intérpretes. Mas muitas das vezes ele pensou em desistir, por falta de apoio”, comentou a empresária Rosângela Quintairos, mãe do agora estudante de arquitetura Patrick de Oliveira, de 26 anos. Ela comenta que seu filho já nasceu surdo pelo fato de ela ter tido rubéola quando estava grávida. Hoje, Rosângela afirma que seu filho está realizado e feliz pelas conquistas alcançadas.
Sobre a passeata, ela diz que acha muito justo que os pais lutem pelos direitos dos seus filhos, pois precisam de apoio para que não abandonem os estudos. “A maioria dos casos de estudantes surdos que abandonam as escolas é porque não têm apoio e acabam perdendo interesse”. (Diário do Pará)

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